Sou cruel. Má. Não olho Mas vejo. Retiro-me Sem dizer palavra A sala fria Fica. Ao meu redor Só há espelhos. Azuis E beatas pelo chão. Tu zangas-te. Ele zanga-se. Vocês zangam-se. Eu não me zango. Pinturas estranhas, bizarras Olham-nos Lá de cima Do tecto. Sufoquei-me Nos teus lençóis De linho E seda pura Pura também já fui Agarrei no copo Enchi-o e bebi-o Olhei as paredes vazias De buracos, Caí! Tu caíste. Jamais juntos. O barulho explodiu. Ficámos só nós, Os dois. Olhei o espelho. O meu reflexo acenou-me Esqueceu-se De ir Queria apenas.., Ser. Existir. Permanecer. Sorrir. Amar. Viajo na minha terra A terra dos sonhos Palco de uma nova era. A arena dos egoísmos! Minha. Meu. Seu. Teu. Dele. Dela. Minha, meu, seu, teu, dele, dela. Uma só flor. Um só sonho. Uma só pessoa. Nas viagens da terra de ninguém Nos sonhos de alguém, Cai o palco de uma nova era.

Poema 1